Porque há momentos em que o destino mais importante deixa de ser um lugar e passa a ser uma forma de viver.
Por Fernando Schimidt
Durante muitos anos acreditei que viajar significava partir. Comprar uma passagem, cruzar fronteiras, descobrir cidades, experimentar sabores, admirar monumentos e colecionar fotografias.
Tudo isso continua tendo o seu encanto. Mas a vida, silenciosamente, foi me ensinando outra lição. Descobri que partir é relativamente fácil. Difícil é chegar.
Chegar não apenas a um aeroporto ou a uma estação ferroviária, mas a um momento da vida em que já não sentimos necessidade de correr para o próximo destino.
Existe uma diferença enorme entre estar em um lugar e realmente habitá-lo.
A maturidade talvez nos ofereça exatamente essa oportunidade. Deixar de contar quantos países visitamos para perceber como vivemos cada manhã, cada conversa, cada silêncio.
Os grandes deslocamentos continuam belíssimos. Mas já não precisam ser constantes para que a vida permaneça rica.
Há dias em que uma caminhada tranquila, um café sem pressa, o canto insistente de um bem-te-vi ou uma boa conversa entre amigos possuem o mesmo valor de uma paisagem famosa. Não porque o extraordinário tenha perdido importância. Mas porque o cotidiano finalmente recuperou a sua.
Talvez seja essa uma das mais belas viagens que podemos fazer. Aquela em que deixamos de procurar apenas novos lugares e começamos a reconhecer o lugar onde realmente chegamos.
Como canta Milton Nascimento:
“Chegar e partir são só dois lados da mesma viagem.”
Talvez a verdadeira arte esteja justamente em aprender a viver bem os dois.
Sobre o autor:
Fernando Schimidt
Curadoria de viagens, cultura e experiências que permanecem na memória.
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